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Espera

Espera que te façam a cama todos os dias, que descubram por ti a tua missão no planeta, e que a realizem por ti.

Espera que o amor da tua vida te apareça montado num unicórnio cor-de-rosa, e que depois lutem por ele, por ti.

Espera que vão correr por ti para perderes aqueles quilinhos que andaste a juntar durante o inverno caso precisasses de hibernar de urgência, e espera também que se alimentem bem por ti.

Espera que cumpram prazos por ti, que se responsabilizem pelas tuas falhas, que te perdoem sempre que fazes asneiras, e que peçam desculpa a quem magoaste, por ti.

Dizem por aí que quem espera, sempre alcança, mas eu acredito que as pessoas que acreditam nisso, e não lutam por aquilo que merecem, passam a vida a esperar que a vida delas comece.

Quem acredita que merece ser feliz e realizado, vai atrás daquilo que quer e luta, luta até conseguir, e quando não consegue, não desiste.

Aí sim, espera, reúne forças para continuar e volta a lutar.

Nota: A parte de te fazerem a cama todos os dias, é capaz de ser a única que pode mesmo acontecer sem que te esforces, basta teres uma ajudante do lar, mas como não tenho, continuo a fazer a minha todos os dias 😉

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Super Poderes

Era uma vez uma menina que acreditava ter super poderes.

Acreditava que na ponta dos seus dedos moravam seres iluminados que estavam sempre às suas ordens e acatavam todos os seus pedidos.

Seres que iam em auxílio dos que precisavam de Luz.

Dos que não queriam ver, abrir os olhos e caminhar, sem medos nem máscaras.

Em vão caminhava por eles, sozinha, percorria os seus desertos, carregava as suas culpas, e trazia no seu coração as suas dores.

Sem nunca olhar para trás, aos poucos ia -se perdendo cada vez mais, enquanto os tentava encontrar.

Fazia um caminho que não era seu, todos os dias, com o mesmo pensamento, a mesma visão, uma visão que só os seus olhos podiam ver.

Acreditava que se amasse pela Essência, a Luz iria destruir barreiras e iluminar os outros Corações.

Até que um dia, cansada de lutar a tentar comandar outros Corações, desistiu. Deixou-os ir.

Porque quando têm que voltar, voltam sempre.

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A Decisão do Coração

No meu coração, a decisão já estava tomada há muito tempo.

Mas a minha cabeça punha-se a fazer contas à vida, a somar e a subtrair, a contar as despesas e as responsabilidades, até que o dia de mudar o rumo da minha vida, finalmente chegou.

Nem todos perceberam, quase todos me olharam de lado e me criticaram, afinal de contas, a crise estava aí, e eu estava efetiva numa grande empresa a cinco minutos de casa, a ganhar bem, com boas perspectivas de ali continuar por tempo indeterminado e… completamente infeliz, em todos os campos da minha vida.

Com dinheiro, muito álcool para me anestesiar e sem amor, sem poder criar nada que não fossem novos clientes, mais dinheiro para a empresa e menos felicidade para mim.

Não vou dizer que foi fácil, porque estaria a mentir. Não foi fácil dar o passo há cinco anos atrás, nem seria mais fácil fazê-lo hoje, tomar a decisão de me despedir, partir para um futuro desconhecido sem rede de segurança e ainda hoje não é fácil viver sem uma árvore das patacas por perto.

Ter de começar e terminar projetos, sem nunca desistir.

Mas é bem mais fácil acordar feliz todos os dias, caminhar mais leve, com menos peso de coisas materiais, ter menos amigos, mas serem verdadeiros, e fazer uma coisa que adoro todos os dias.

E ter encontrado o amor num lugar que sempre quis conhecer e onde nunca o esperei encontrar. Isso sim, é fácil.

Por estas e muitas outras razões, escolho continuar todos os dias a reinventar-me e a percorrer um caminho com mais curvas, sempre movida a paixão, que é o melhor combustível de todos!

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A (de)Pressão dos 30!

Tenho trinta, vá, trinta e cinco anos, um namorado, zero filhos (nem equaciono a hipótese de os ter, pelo menos para já), uma gata, um emprego que muda de x em x meses, mil e muitos projetos pessoais, uns na prateleira e outros prontos para sair do forno, e mudo de casa em média em dois em dois anos.

De acordo com o que me programaram para ser e ter desde que cheguei ao planeta terra, estou completamente desviada do meu caminho “natural”.

Por esta altura já deveria ter meia dúzia de criaturas agarradas às minhas saias (que raramente uso, sou uma rapariga que gosta mais das suas leggings) cheias de ranho (as crianças, não as leggings), aos berros, e o mesmo emprego (um daqueles que odiaria visceralmente e que me poria num estado de depressão crónica) há pelo menos 18 anos.

Mas não, não quero aceitar que esse é o caminho para a felicidade, mesmo quando (quase) todas as minhas amigas já casaram e foram mães, e várias pessoas à minha volta me torcem o nariz e dizem: “Olha que já não tens muito mais tempo para ser mãe…”. E quem vos diz a vocês, que a minha felicidade passa por aí, ou que tenho pressa para deixar um vestígio do meu ADN no planeta?

A urgência que tenho é deixar a minha marca, o meu registo, aquilo que me define enquanto ser humano movido a paixão.

A tristeza que sinto, é por saber que muitas vezes me saboto, e atraso o meu processo de conquista de poder pessoal, por ter medo de mostrar aquilo de que sou capaz de ser e fazer. Mas sei que a auto- sabotagem, não sairá vencedora desta longa e dolorosa batalha.

Esta pressão que nos incutem desde o berço, tem de acabar.

O que todos precisam de aprender, é simplesmente, perceber o que os faz feliz, e aprender a viver disso e para isso.

A partir do momento em que o nosso coração nos dá essa resposta, temos a chave para a porta da felicidade.

É a nossa missão no planeta, e essa missão não é conduzida pelo sofrimento, é movida pela paixão. Por isso reprogramem aquelas crenças limitadoras que nos ensinaram quando eramos pequenos, de que a felicidade se resumia a casar, a ter filhos e um cão, e tomem consciência de que merecem muito mais: Duas casas, três cães e dois maridos, pelo menos!…Pronto, agora delirei, confesso.

No fundo, a mensagem que gostava de passar é: Esqueçam a depressão dos trinta, e tenham coragem de ser felizes, por inteiro, com tudo aquilo a que têm direito, mesmo que sejam as duas casas e os maridos todos!

Reinventem-se todos os dias, e acima de tudo, sejam felizes!

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O Meu Primeiro

Cabelo branco.

Caro Cabelo branco: Confesso não ter sido hoje a primeira vez que nos vimos frente a frente, mas desta vez houve ali qualquer coisa de diferente das outras vezes em que te ignorei e sem pestanejar, te arranquei, meu grande sacana.

Não sei se pelas dores nas costas que me perseguem, se pelas alergias que nunca tive até este ano, ou talvez as ressacas brutais que duram até 3 dias e meio e que se têm a partir dos famosos 30, mas desta vez senti mesmo que estavas em vantagem, até porque me fizeste andar o dia todo em público com risco ao meio, armada em filha legítima do Paulo Bento com o Pato Donald, para evitar que qualquer reflexo de luz anunciasse ao mundo a minha entrada na terceira idade/brigada do reumático e as pessoas se começassem a levantar para eu me poder sentar no banco dos idosos no elétrico.

Sinceramente não sei como reagir a isto, porque ninguém nos prepara para esta situação.

Nem para a luta diária que iremos começar a travar com a lei gravidade, que está perdida logo antes sequer ter início.

Isto só me faz lembrar as mulheres que têm filhos e entram em estado amnésico de felicidade e se esquecem da dor que tiveram antes, durante e depois do parto e contam a todas as pessoas o quão maravilhoso é o “parir”. Digo-vos desde já que é tudo mentira!! Ainda não fui mãe, mas bastou-me acompanhar todo o processo do parto da minha irmã para rapidamente pensar em adotar uma criança ou exigir a administração de drogas fortes imediatamente antes sequer da primeira contração.

Ainda estou a tentar relativizar isto dos ‘inta, mas não está a ser nada fácil…Talvez mais um copo de vinho branco me ajude a aceitar a “tortura dos 30” de forma a conseguir chegar viva à “ternura dos 40”. Ó Paco: Devias estar mesmo cheio de xanax quando resolveste escrever essa bonita e fajuta melodia!

Para finalizar, gostaria de te solicitar que fosses pregar para um outro escalpe que valorize a tua presença, nomeadamente algum indivíduo desprovido de força capilar.

Abraço cordial,

Assinado: Trintona Recalcada

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1981.

Tenho Saudades das avionetas que deixavam cair paraquedas com homens de plástico que me faziam nadar até ficar sem pé, e quase me afogar para apanhar tamanhos tesouros, dos encontros sem marcação na bola Nivea, da excitação que era ver San Marino sempre em último lugar, e Portugal com a equipa das Caldas da Rainha em primeiro, pela voz do Eládio Clímaco nos Jogos sem Fronteiras e das noites de Eurovisão, em que sofríamos todos até à última com as infindáveis, e nunca vitoriosas votações.

Tenho saudades dos livros da escola forrados com autocolante transparente (Não fossem os safados dos livros cair no mar) sempre com uma bolha teimosa que escapava, das dezenas de horários que trazia da papelaria, das colecções de borrachas com cheiro, dos cromos do Justiceiro que roubava à minha irmã para, orgulhosamente levar para a escola, da destreza com que o Macgyver se safava sempre dos maus, só com uma pastilha elástica no bolso, e dos jogos do Spectrum que demoravam uma hora a carregar e que muitas das vezes a cassete dava erro e tínhamos de voltar a fazer tudo de novo.

Tenho saudades dos ouvidos tapados no avião em todas idas para a ilha terceira no verão. Das maçarocas de milho, das idas à Base das Lajes para comprar peanut butter cupcakes, Cherry Coke e Fanta de uva. Da vó Madeta na cozinha a fazer massa sovada, dos mergulhos nos Biscoitos, dos picknicks na Serreta, da chuva na Silveira e das estradas ladeadas por hortênsias.

Outro dia uma amiga contou-me que um dia ao perguntar a uma criança o que era para ela o significado da palavra Saudade, ela respondeu: “Saudade é gostar outra vez!” Se assim é tenho Saudades de tudo o que já vivi, das coisas boas e das menos boas, das cores, dos sabores, dos cheiros e dos lugares por onde já passei. Dos abracinhos, dos beijos e palavras trocadas com as pessoas que já conheci, e que amo, cada uma delas à minha maneira, e que contam parte da minha História com muitos capítulos ainda por escrever.

E assim é!

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Até à Lua, e voltar

Para a Tânia, em memória do Ricardo

Silêncio.

Esta é a palavra que sobra quando um Coração pára de bater.

Lembro-me como se tivesse sido ontem o dia em que as nossas Almas se cruzaram.

Soube nesse preciso momento que a minha Vida nunca mais seria igual.

O meu Coração queria sair disparado do peito e o meu corpo queria ficar aninhado para sempre no teu.

Os dias foram passando e aos poucos as muralhas que tinha construído à minha volta foram caindo, deixando-me livre para me entregar a ti incondicionalmente, para sempre.

A Vida que tinha vivido até então pareceu-me pequena, sem cor nem significado até ao dia em que tu entraste e me deste a mão.

Aos poucos fomos construindo um castelo bem assente na terra, enquanto em segredo brincávamos às princesas no mundo real, onde tu eras o meu príncipe e eu a princesa por quem tinhas esperado e voltado a encontrar, vida após vida, apenas separados pela linha do fim.

Hoje carrego no meu peito a dor da tua perda. Uma dor que não tem fim nem cabe dentro de mim. Uma dor que transborda e ressoa em todas as almas à minha volta. A dor que me diz que nunca mais nos vamos voltar a ver, tocar ou abraçar.

A mesma dor que aos poucos me vai levando o que sobra de amor no Coração.

Essa dor que não quero deixar ir porque sinto que é o que me resta de ti. Não te quero deixar partir, sei que é egoísmo, mas quero-te aqui ao meu lado.

Quero continuar a construir o nosso futuro, quero que fiques aqui, para sempre.

Um dia, talvez, daqui a muitos dias, a deixe partir, mas até lá vou guardá-la aqui bem perto do meu Coração, onde tu estás, para sempre.

Amo-te. Até à Lua, e voltar.

 

— EN — To the moon, and back. For Tania, in memory of Richard

Silence.

This is the last word that remains when a heart stops beating.

I remember like it was yesterday the day that our souls met.

At that moment, I knew that my life would never be the same again.

My heart wanted to run out from my chest and my body wanted to stay forever embraced in yours.

The days passed by, and gradually the walls I had built around me started to fall, leaving me free to give myself to you forever, unconditionally.

The life I had lived until then seemed small, colorless and meaningless, until the day you walked in and gave me your hand.

Slowly, we started to built a beautiful castle on earth, while in the real world, we secretly played princesses and prince Charming, where you were my prince and I was your princess for whom you had come back and found life after life, only separated by the line of the end .

Today I carry in my heart the pain of your loss. A pain that has no end nor enough space to fit inside me.

A pain that overflows and resonates in all souls around me. The pain that tells me that we will never see, touch or hug each other again.

The same pain that is gradually taking what’s left of love in my heart.

This pain that I do not want to let go because I feel that is the only thing I have left of you.

I do not want to let you go, I know it’s selfish, but I want you here by my side. I want to continue to build our future, I want you here forever.

One day, perhaps, many days from today, I might be able to let it go, but until then I’ll keep it here very close to my heart, where you are, forever.

I love you. To the moon and back.

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Confissão do Coração

Há quase um ano que pararam os ataques de pânico.

Mas a minha companheira inseparável de viagem, a ansiedade, está cá. Sempre.

Para me roubar o ar dos pulmões, a serenidade, e claro, a senilidade.

Por mais que tente explicar o que é acordar a meio da noite com um buraco no lugar dos pulmões e sentir o coração descompassado, sozinho, perdido, muito dificilmente alguém que não sofra do mesmo poderá compreender.

Dizem que de fora se vê sempre melhor todas as situações, não é? Nem todas, nem sempre.

Quem está de fora não sabe o quão difícil é largar um porto seguro para ir atrás de uma paixão, não sabe a luta diária que se trava com a insegurança de deixar de ter chão, nem o difícil que é encontrar alguém com coragem e paciência para apanhar as peças partidas e voltar a colar tudo, vezes e vezes sem conta.

Mas quem está de fora, talvez não tenha experimentado a felicidade de realizar um sonho, de viver todos os dias a vida que se escolheu, e de escrever pela própria mão a cada dia, uma nova página no livrinho da vida.

A ansiedade vai viver comigo para sempre, mas a felicidade também. 🙂

Bom Ano!

Fotografia tirada pela minha amiga do coração Carla Rodrigues na Praia das Avencas um dia antes de terminar 2015.