Até à Lua, e voltar

Para a Tânia, em memória do Ricardo

Silêncio.

Esta é a palavra que sobra quando um Coração pára de bater.

Lembro-me como se tivesse sido ontem o dia em que as nossas Almas se cruzaram.

Soube nesse preciso momento que a minha Vida nunca mais seria igual.

O meu Coração queria sair disparado do peito e o meu corpo queria ficar aninhado para sempre no teu.

Os dias foram passando e aos poucos as muralhas que tinha construído à minha volta foram caindo, deixando-me livre para me entregar a ti incondicionalmente, para sempre.

A Vida que tinha vivido até então pareceu-me pequena, sem cor nem significado até ao dia em que tu entraste e me deste a mão.

Aos poucos fomos construindo um castelo bem assente na terra, enquanto em segredo brincávamos às princesas no mundo real, onde tu eras o meu príncipe e eu a princesa por quem tinhas esperado e voltado a encontrar, vida após vida, apenas separados pela linha do fim.

Hoje carrego no meu peito a dor da tua perda. Uma dor que não tem fim nem cabe dentro de mim. Uma dor que transborda e ressoa em todas as almas à minha volta. A dor que me diz que nunca mais nos vamos voltar a ver, tocar ou abraçar.

A mesma dor que aos poucos me vai levando o que sobra de amor no Coração.

Essa dor que não quero deixar ir porque sinto que é o que me resta de ti. Não te quero deixar partir, sei que é egoísmo, mas quero-te aqui ao meu lado.

Quero continuar a construir o nosso futuro, quero que fiques aqui, para sempre.

Um dia, talvez, daqui a muitos dias, a deixe partir, mas até lá vou guardá-la aqui bem perto do meu Coração, onde tu estás, para sempre.

Amo-te. Até à Lua, e voltar.

 

— EN — To the moon, and back. For Tania, in memory of Richard

Silence.

This is the last word that remains when a heart stops beating.

I remember like it was yesterday the day that our souls met.

At that moment, I knew that my life would never be the same again.

My heart wanted to run out from my chest and my body wanted to stay forever embraced in yours.

The days passed by, and gradually the walls I had built around me started to fall, leaving me free to give myself to you forever, unconditionally.

The life I had lived until then seemed small, colorless and meaningless, until the day you walked in and gave me your hand.

Slowly, we started to built a beautiful castle on earth, while in the real world, we secretly played princesses and prince Charming, where you were my prince and I was your princess for whom you had come back and found life after life, only separated by the line of the end .

Today I carry in my heart the pain of your loss. A pain that has no end nor enough space to fit inside me.

A pain that overflows and resonates in all souls around me. The pain that tells me that we will never see, touch or hug each other again.

The same pain that is gradually taking what’s left of love in my heart.

This pain that I do not want to let go because I feel that is the only thing I have left of you.

I do not want to let you go, I know it’s selfish, but I want you here by my side. I want to continue to build our future, I want you here forever.

One day, perhaps, many days from today, I might be able to let it go, but until then I’ll keep it here very close to my heart, where you are, forever.

I love you. To the moon and back.

Deixe uma resposta