1981.

Tenho Saudades das avionetas que deixavam cair paraquedas com homens de plástico que me faziam nadar até ficar sem pé, e quase me afogar para apanhar tamanhos tesouros, dos encontros sem marcação na bola Nivea, da excitação que era ver San Marino sempre em último lugar, e Portugal com a equipa das Caldas da Rainha em primeiro, pela voz do Eládio Clímaco nos Jogos sem Fronteiras e das noites de Eurovisão, em que sofríamos todos até à última com as infindáveis, e nunca vitoriosas votações.

Tenho saudades dos livros da escola forrados com autocolante transparente (Não fossem os safados dos livros cair no mar) sempre com uma bolha teimosa que escapava, das dezenas de horários que trazia da papelaria, das colecções de borrachas com cheiro, dos cromos do Justiceiro que roubava à minha irmã para, orgulhosamente levar para a escola, da destreza com que o Macgyver se safava sempre dos maus, só com uma pastilha elástica no bolso, e dos jogos do Spectrum que demoravam uma hora a carregar e que muitas das vezes a cassete dava erro e tínhamos de voltar a fazer tudo de novo.

Tenho saudades dos ouvidos tapados no avião em todas idas para a ilha terceira no verão. Das maçarocas de milho, das idas à Base das Lajes para comprar peanut butter cupcakes, Cherry Coke e Fanta de uva. Da vó Madeta na cozinha a fazer massa sovada, dos mergulhos nos Biscoitos, dos picknicks na Serreta, da chuva na Silveira e das estradas ladeadas por hortênsias.

Outro dia uma amiga contou-me que um dia ao perguntar a uma criança o que era para ela o significado da palavra Saudade, ela respondeu: “Saudade é gostar outra vez!” Se assim é tenho Saudades de tudo o que já vivi, das coisas boas e das menos boas, das cores, dos sabores, dos cheiros e dos lugares por onde já passei. Dos abracinhos, dos beijos e palavras trocadas com as pessoas que já conheci, e que amo, cada uma delas à minha maneira, e que contam parte da minha História com muitos capítulos ainda por escrever.

E assim é!

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